RESENHA FASHIONWASH APROFUNDA DISCUSSÃO SOBRE O FEMINISMO NO #MODAINFO 1.18

LONGE DE SER UM MODISMO, O FEMINISMO ESTÁ EM VOGA

Em alta na nossa sociedade desde 2015, quando as denúncias contra o assédio começaram a reverberar nas redes sociais, discussões sobre os inúmeros desdobramentos incitados pelo feminismo vem borbulhando em todos os meios de comunicação.

Não por acaso, termos fortes de significado como empoderamento, que diz respeito ao processo de conscientização da sociedade sobre seus direitos humanos e civis, sororidade, conceito de irmandade que inibe os pré-julgamentos entre mulheres, e empatia, a habilidade de se colocar no lugar do outro, passaram a integrar o vocabulário de boa parte das pessoas e das marcas, muitas vezes distante de seu contexto, dando contornos de modismo ao que é um movimento social.

Ainda assim, o feminismo vem conscientizando as pessoas sobre a presença tóxica do machismo no cotidiano e, com isso, tem abalado indústrias poderosas, como a de bebidas, automóveis e a do cinema, historicamente ligadas à esteriotipação de gênero e que, agora, dão sinais de estarem correndo atrás desse prejuízo com a ressignificação do seu storytelling.

Espelho de seu tempo, a moda também foi ágil em decodificar esses sinais e traduzir ícones do feminismo contemporâneo para produtos, como a Dior fez ano passado ao incorporar a frase We should all be feminists (Nós todos deveríamos ser feministas, em inglês) da escritora africana Chimamanda Ngozi Adichie, na t-shirt de um dos looks do desfile de estreia da diretora criativa Maria Grazia Chiuri na label ano passado.

A camiseta em questão, no destaque da nossa matéria, assumiu o posto de hit da temporada ao mesmo passo em que deu pano pra manga para a discussão sobre a apropriação do discurso feminista e disparidade de cargos e salários no meio fashion.

Afinal, a estreia de Chiuri na Dior também chamou a atenção da mídia por constituir a primeira mulher em cargo de liderança criativa na maison, um caso de exceção na indústria da moda, em que apesar de praticamente toda a produção ser executada e voltada para as mulheres, não dispõe de muitos postos de chefia ocupados por uma.

Joyce Prestes e Marina Colerato no #ModaInfo 1.18/ Foto: Renato Souza - Soul Art

Joyce Prestes e Marina Colerato no #ModaInfo 1.18/ Foto: Renato Souza – Soul Art

“Trazer a perspectiva de gênero sobre a moda é importante, pois, apesar do gênero feminino ser o que mais consome (80% do total) e mais produz (75% do total), não aparece em cargos de liderança, como os de criação, que é geralmente preenchido pela figura do homem branco rico. Temos de desconstruir isso”, avalia Marina Colerato, do Modefica, que participou da resenha Fashionwash do #ModaInfo 1.18 ao lado de Joyce Prestes, da agência Think Eva.

A Arena, que em sua essência discutiu soluções para combater o movimento de apropriação de causas sociais pela moda, uma boa explicação sobre o que o termo Fashionwash representa, veio num momento em que a adoção da causa feminista pelo mercado está em andamento e a discussão sobre o que ela representa na prática precisa ser aprofundada.

“A bandeira da igualdade de gênero levantada pelo feminismo não é uma tendência de moda, mas uma revolução estrutural na nossa sociedade. Mais do que uma camiseta com uma fala feminista, o público deseja reconhecer gente comprometida com essa mudança e repudia as marcas que só se aproveitam dela visando lucro”, explica Nathalia Anjos, coordenadora de conteúdo do Senac Moda Informação.

 

Fonte: Site Senac Moda Informação. Posted by