MODA SUSTENTÁVEL: CONHEÇA AS PRINCIPAIS CERTIFICAÇÕES

EM VOGA NO BRASIL E NO EXTERIOR, EMPRESAS CERTIFICADORAS SE DESTACAM NO MERCADO ÁVIDO POR TRANSPARÊNCIA NOS PROCESSOS DE PRODUÇÃO E CONSUMO DE MODA

Enquanto o mainstream da moda se especializou em desenvolver coleções cada vez mais rápidas e baratas às custas da degradação ambiental e social do planeta, vimos a crise que se instaurou ao redor do globo colocar nossas medidas tradicionais de grandeza em xeque.

Para se ter uma ideia, além do impacto ambiental negativo das monoculturas regadas a agrotóxico, como a do algodão, ouro branco da indústria têxtil, e a exploração de recursos não-renováveis como o petróleo, matéria-prima de fibras sintéticas como nylon, poliéster e acrílico, cerca de 20% da poluição aquática é atribuída aos processos de tingimento e descarte indevido de resíduos têxteis no meio-ambiente.

Isso sem falar nos milhões de toneladas de roupas descartadas todos os anos. Apenas na região do Bom Retiro, no centro de São Paulo, são descartados diariamente 20 toneladas de artigos têxteis que nunca foram usados, de acordo com o Sinditêxtil.

E qual é o futuro para esse modelo de negócio num mundo que já sinaliza a falta de recursos naturais? Pensar em recomeçar do zero para abrir um negócio completamente engajado na sustentabilidade é, sem dúvida, o melhor passaporte para o amanhã, mas para quem deseja inserir práticas sustentáveis no seu modelo de negócio, o primeiro passo ainda é o mais importante.

De olho em conquistar a confiança do consumidor sensível a esse cenário, cresce o número de marcas nacionais interessadas em certificarem suas práticas sustentáveis, em termos ambientais, sociais e financeiros, como uma prova do seu comprometimento com o futuro do planeta.

Isso porque, há brechas na legislação ambiental brasileira que comprometem sua fiscalização atualmente, como comenta Marcel Fukayama, co-fundador do Sistema B no Brasil, principal instituição certificadora da América Latina “desastres ambientais como os causados pela Vale em Mariana e Brumadinho são exemplos de falhas nas políticas ambientais que endossam a necessidade de certificação”.

SELO PARA “MODA EXPORTAÇÃO”

O Sistema B certifica empresas de pequeno a grande porte, como a Flavia Aranha e a Natura e, atualmente, está desenvolvendo sua primeira certificação de cadeia de valor para a Nespresso, além de participar do projeto piloto de certificação de um coletivo de artesãos do Paraná com o Sebrae.

O pleito das certificações coletivas também está movimentando marcas ecofriendly a formar um grupo de moda sustentável nacional a articular a facilitação de certificações aceitas no Brasil e no exterior para labels de pequeno porte, como nos explica Rafael Morais, idealizador do BEFW (Brasil Eco Fashion Week).

“Nosso grupo também está conversando com órgãos do governo sobre a importância oportunizar certificações às marcas sustentáveis, na maioria de pequeno porte, comprovando seu compromisso com os impactos ambientais da sua produção, bem-estar e o desenvolvimento sustentável da comunidade em que está inserida”, revela Rafael, que deseja aumentar o número de marcas certificadas participantes do seu evento, que hoje fica em torno de 10%.

“Na Alemanha, as certificações ambientais são quase um status quo. O mercado de lá iniciou essa discussão há 40 anos”, afirma compradora Alice Beyer Schuch, brasileira radicada em terras germânicas, que veio ao Brasil ano passado para conferir os lançamentos da BEFW.

“A moda sustentável no Brasil ainda está muito voltada a questões éticas, de trabalho justo, inclusão social, de gêneros e identidade. A sustentabilidade vai além disso e inclui o cuidado com os processos industriais, uso de água e energia e seleção de materiais”, avalia ela, que dá o recado, “Fazer menos não é fazer melhor. Temos de repensar escala e processos”.

Mariana Amaral, representante do CITEVE (Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e de Vestuário de Portugal) no Brasil, explica que a escolha da certificação deve estar sempre alinhada com a estratégia da empresa e com o mercado no qual ela está inserida, já que os critérios de sustentabilidade variam localmente.

O CITEVE é o instituto homologado para orientar, capacitar e realizar as certificações do sistema OEKO TEX® no Brasil, que atualmente certifica 27 empresas nacionais da indústria têxtil e de moda.

LOBBY PELO COMPROMISSO SOCIAL

Para Marcel, a consolidação da prática das certificações sustentáveis é um primeiro passo para transformar a sociedade, mas é preciso melhorar as leis brasileiras e tornar os mecanismos de fiscalização eficientes para desenvolvermos o trade realmente.

Por isso, desde 2017, o executivo atua no Comitê de Investimentos e Negócios de Impacto, criado há dois anos pela Presidência da República para auxiliar o então Ministério de Estado da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, hoje contemplado no Ministério da Economia, a ampliar as medidas de impacto social previstas no Sistema B para todas as empresas do país.

Funciona assim, de modo voluntário, a empresa firma o compromisso de gerar impacto positivo na sociedade por meio de suas atividades considerando todos os parceiros envolvidos nos seus processos. “Esse projeto visa principalmente elevar os níveis de confiança, crédito e segurança jurídica no âmbitos dos negócios. Interessa a todos”, acredita Marcel.

A proposta do comitê tramita atualmente no Ministério da Economia e, segundo o executivo, deverá levar até 6 anos para ser implantada.

CONHEÇA OS PRINCIPAIS SELOS SUSTENTÁVEIS PARA A MODA

ABR 

O ABR – Algodão Brasileiro Responsável, se propõe a promover a evolução progressiva das boas práticas sociais, ambientais e econômicas em torno da cultura do algodão. Os produtores são estimulados a adquirir e manter as boas práticas que combinam a produção agrícola e a preservação do meio-ambiente, com foco na proteção de nascentes, cursos e reservas de água, além da preservação dos biomas e do solo e qualidade do ar, da água e do solo.

ABVTEX

Estabelecido pela Associação Brasileira de Varejo Têxtil, o selo ABVTEX garante que a cadeia de fornecedores das marcas foi auditada e está em conformidade com a legislação trabalhista, combatendo o trabalho análogo ao escravo no meio.

BLUE SIGN®

O Blue Sign® É um certificado de produção têxtil sustentável, que vida eliminar substâncias nocivas desde o início do processo de fabricação, e também estabelece o controle e padrões para uma produção segura e que não agride o meio-ambiente.

C2C

O Padrão de Produto Cradle to Cradle Certified ™ orienta as marcas a implementar a economia circular por meio de um processo de melhoria contínua que analisa um produto através de cinco categorias de qualidade – saúde do material, reaproveitamento, energia renovável e gerenciamento de carbono, manejo da água e justiça social.

GRS 

O GRS é um padrão internacionalde produtos que estabelece requisitos para certificação de terceiros de reciclados. conteúdo, cadeia produtiva, práticas sociais e ambientais e restrições químicas.

ISO 14000

A ISO 14000 é um conjunto de padrões internacionais relativos a gestão ambiental das organizações. A mais conhecida destas normas é a ISO 14001 que, em conjunto da ISO 14006, estabelece os requisitos de um Sistema de Gestão Ambiental. Para obtê-lo, é preciso passar por uma auditoria, que irá verificar todos os processos da empresa e como eles impactam o ecossistema.

FAIRWEAR FOUNDATION

A Fair Wear Foundation (FWF) é uma organização sem fins lucrativos que trabalha com marcas de vestuário, fábricas, sindicatos, ONGs e governos para melhorar as condições de trabalho de trabalhadores de vestuário em 11 países produtores na Ásia, Europa e África.

FSC (FOREST STEWARDSHIP COUNCIL)

Esse selo assegura que as matérias-primas utilizadas por uma empresa não agridem o meio ambiente. É um dos certificados mais reconhecidos no mundo e, para adquiri-lo, é necessário passar por um processo de auditoria, feito por órgãos competentes.

GOTS

O Padrão Global de Têxteis Orgânicos (GOTS) assegura o estatus orgânico dos têxteis a partir da colheita das matérias-primas colhidas de forma ambientalmente e socialmente responsável. É um dos mais populares na Europa.

OEKO TEX®

O selo OEKO-TEX® tem diferentes níveis de certificação:

  • STANDARD 100 BY OEKO-TEX®: é a principal certificação de produto do sistema OEKO TEX®, em que todos os componentes são submetidos à ensaios laboratoriais para avaliar a presença de substâncias nocivas. Podem ser certificados os fios, filamentos, tecidos, etiquetas, linhas, vestuário e outros componentes envolvidos na confecção do produto.
  • ECO PASSPORT by OEKO-TEX®: certificação para produtos químicos, corantes e produtos auxiliares aplicáveis aos têxteis. Consiste em um procedimento de verificação em duas etapas que analisa se as substâncias atendem ou não a critérios específicos para uma produção têxtil sustentável.
  • STeP by OEKO-TEX®: certificação voltada para o sistema de gestão da empresa. Verifica e atesta a produção dos produtos com base nos requisitos de gestão de químicos, gestão da qualidade, gestão ambiental, responsabilidade social, segurança e saúde e desempenho ambiental.
  • LEATHER by OEKO-TEX®: certificação aplicada aos produtos de couro em todos os níveis de produção. Podem ser certificados produtos semiacabados de couro, couro acabado, material de fibra de couro, artigos prontos (roupas, acessórios, luvas, bolsas, etc), todos os componentes são submetidos à ensaios laboratoriais para avaliar a presença de substâncias nocivas.

PETA

Certificação mais comum entre os produtos veganos, o certificado do Peta garante que as marcas não conduzem quaisquer testes com animais em ingredientes, formulações ou produtos acabados.

SELO QUAL

Promovido pelo Texbrasil (Programa de Exportação da Indústria da Moda Brasileira), com a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o Selo QUAL  assegura ao mercado que as empresas seguem padrões de conservação ambiental e padronização de processos, buscando a melhoria contínua, o respeito ao meio ambiente e à legislação, além da responsabilidade social.

OUTROS CERTIFICADOS INTERESSANTES:

CERTIFICADO RAINFOREST ALLIANCE

Selo disponível para empresas que cultivam, industrializam ou comercializam matérias-primas obtidas de florestas tropicais. A certificação confere se a produção cumpre normas de preservação ambiental e melhora a qualidade de vida da comunidade na qual está inserida.

ECOETIQUETA CNDA

A empresa precisa comprovar periodicamente, por meio de laudos técnicos, para receber. Garante a qualidade ecológica e socioambiental do serviço ou produto que tem o apoio da sociedade civil.

PROGRAMA CARBON FREE

Criado pela ONU, o programa calcula a emissão de gases de efeito estufa e apresenta como compensá-la por meio de medidas como plantio de árvores.

O Senac Moda Informação é Carbon Free desde 2009.  🙂

RÓTULO ECOLÓGICO ABNT

Atesta quais produtos e serviços são mais ambientalmente amigáveis. Consiste em uma metodologia voluntária de certificação e rotulagem de desempenho ambiental, que visa informar aos consumidores sobre quais produtos são menos agressivos ao meio ambiente.

Fonte: Senac Moda Informação by
Imagem em destaque: Desfile da Stella McCartney FW 19