Como estimular o desenvolvimento do seu filho

Quem tem ou teve um bebê e mesmo quem convive muito próximo a um neném sabe que o desenvolvimento às vezes acontece de forma bem rápida. Sabe aquela sensação de que piscou os olhos e o tempo passou? É mais ou menos assim mesmo. Mas mesmo que as conquistas dos pequenos sejam muitas e rápidas é natural que mães, pais, responsáveis e familiares fiquem ansiosos por novas etapas.

Quando vai começar a engatinhar? E ficar de pé? Será que falta muito para começar a andar. E as primeiras palavras, quando vai falar? São perguntas naturais, mas é preciso ter em mente que as crianças passam por um processo de desenvolvimento gradual, com conquistas esperadas. Essas caraterísticas motoras, cognitivas, socioafetivas, de comunicação e linguagem são avaliadas a partir dos “marcos de desenvolvimento”. Eles podem definir a saúde física e psicológica da criança e do adulto que ela vai se tornar.

É importante, também, saber que são determinantes para o desenvolvimento da criança os papeis dos pais, dos profissionais de saúde, dos educadores e todos que cercam essa criança, como babás, tios, avós. Todas as pessoas que cuidam da criança têm responsabilidade sobre como ela está se desenvolvendo. E a vigilância desse desenvolvimento possibilita identificar quando algo não vai bem para que o encaminhamento seja feito em tempo oportuno.

Segundo a Coordenação de Saúde da Criança do ministério da Saúde, a genética, o ambiente e os estímulos em que as crianças vivem podem influenciar no seu desenvolvimento. Isso significa que se desenvolvem melhor os bebês que recebem estímulos e possuem com os cuidadores vínculo afetivo forte e bem estruturado. E esta estimulação começa na gestação! Afinal ainda na barriga da mãe que a criança já vai construindo percepções neuronais que vão favorecer o desenvolvimento dela, especialmente nos primeiros mil dias de vida.

Estimulando o desenvolvimento da criança com afeto

Cada criança tem seu tempo, claro, mas há formas de estimular o desenvolvimento com carinho e afeto. Confira as dicas de acordo com a idade da criança:

0 a 2 meses

  • Para que o bebê se desenvolva bem, é necessário, antes de tudo, que seja amado e desejado pela sua família e que esta tente compreender seus sentimentos e satisfazer suas necessidades. A ligação entre a mãe e o bebê é muito importante neste início de vida; por isso, deve ser fortalecida.
  • Converse com o bebê, buscando contato visual (olhos nos olhos). Não tenha vergonha de falar com ele de forma carinhosa, aparentemente infantil. É desse modo que se iniciam as primeiras conversas. Lembre-se de que o bebê reconhece e se acalma com a voz da mãe. Nessa fase, o bebê se assusta quando ouve sons ou ruídos inesperados e altos.
  • Preste atenção no choro do bebê. Ele chora de jeito diferente dependendo do que está sentindo: fome, frio/calor, dor, necessidade de aconchego.
  • Estimule o bebê mostrando-lhe objetos coloridos a uma distância de mais ou menos 30 cm.
  • Para fortalecer os músculos do pescoço do bebê, deite-o com a barriga para baixo e chame sua atenção com brinquedos ou chamando por ele, estimulando-o a levantar a cabeça. Isto o ajudará a sustentá-la.

2 a 4 meses

  • Brinque com o bebê conversando e olhando para ele.
  • Ofereça objetos para ele pegar, tocar com as mãos.
  • Coloque o bebê de bruços, apoiado nos seus braços, e brinque com ele, conversando ou mostrando-lhe brinquedos à sua frente.
  • Observe que o bebê brinca com a voz e tenta “conversar”, falando “aaa, qqq, rrr”.

4 a 6 meses

  • Ao oferecer algo para o bebê (comida, brinquedo etc.), espere um pouco para ver sua reação. Com isso, ele aprenderá a expressar aceitação, prazer e desconforto.
    • Acostume o bebê a dormir mais à noite.
    • Ofereça brinquedos a pequenas distâncias, dando a ele a chance de alcançá-los.
    • Proporcione estímulos sonoros ao bebê, fora do seu alcance visual, para que ele tente localizar de onde vem o som, virando a cabeça.
    • Estimule-o a rolar, mudando de posição (de barriga para baixo para barriga para cima). Use objetos e outros recursos (brinquedos, palmas etc.).

6 a 9 meses

  • Dê atenção à criança demonstrando que está atento aos seus pedidos. Nesta idade, ela busca chamar a atenção das pessoas, procurando agradá-las e obter a sua aprovação.
  • Dê à criança brinquedos fáceis de segurar, para que ela treine passar de uma mão para a outra.
  • Converse bastante com a criança, cante, use palavras que ela possa repetir (dadá, papá etc.). Ela também pode localizar de onde vem o som.
  • Coloque a criança no chão (esteira, colchonete) estimulando-a a se sentar, se arrastar e engatinhar.

9 meses a 1 ano

  • Brinque com a criança com músicas, fazendo gestos (bater palmas, dar tchau etc.), solicitando sua resposta.
  • Coloque ao alcance da criança, sempre na presença de um adulto, objetos pequenos como tampinhas ou bolinha de papel pequena, para que ela possa apanhá-los, usando o movimento de pinça (dois dedinhos). Muito cuidado para que ela não coloque esses objetos na boca, no nariz ou nos ouvidos.
  • Converse com a criança e use livros com figuras. Ela pode falar algumas palavras como (mamã, papá, dá) e entende ordens simples como “dar tchau”.
  • Deixe a criança no chão para que ela possa levantar-se e andar se apoiando.

1 ano a 1 ano e 3 meses

  • Seja firme e claro com a criança, mostrando-lhe o que pode e o que não pode fazer.
  • Afaste-se da criança por períodos curtos, para que ela não tenha medo da sua ausência.
  • Estimule o uso das palavras em vez de gestos, usando rimas, músicas e sons comumente falados.
  • Ofereça à criança objetos de diversos tamanhos, para que ela aprenda a encaixar e retirar um objeto do outro.
  • Crie oportunidades para ela se locomover com segurança, para aprender a andar sozinha.

1 ano e 3 meses a 1 ano e 6 meses

  • Continue sendo claro e firme com a criança, para que ela aprenda a ter limites.
  • Conte pequenas histórias, ouça música com a criança e dance com ela.
  • Dê ordens simples, como “dá um beijo na mamãe”, bate palminha.
  • Dê à criança papel e giz de cera (tipo estaca, grosso) para que ela inicie os seus rabiscos. Isto estimula a sua criatividade.
  • Crie oportunidades para a criança andar não só para frente como também para trás (puxando carrinho etc.).

1 ano e 6 meses a 2 anos

  • Estimule a criança a colocar e tirar suas roupas, inicialmente com ajuda.
  • Ofereça brinquedos de encaixe, que possam ser empilhados, e mostre como fazer.
  • Mostre figuras nos livros e revistas falando seus nomes.
  • Brinque de chutar bola (fazer gol).
  • Observe que a criança começa a juntar palavras e a falar frases simples como “gato cadê?” ou “leite não”.
  • Entenda que nesta idade a criança demonstra ter vontade própria, testa limites e fala muito a palavra não.

2 anos a 2 anos e 6 meses

  • Continue estimulando a criança para que ela se torne independente em atividades de autocuidado diário, como, por exemplo, na alimentação (iniciativa para se alimentar), no momento do banho e de se vestir.
  • Comece a estimular a criança a controlar a eliminação de fezes e urina, em clima de brincadeira, sem exercer pressão ou repreender. Gradativamente, estimule o uso do sanitário.
  • Estimule a criança a brincar com outras crianças.

2 anos e 6 meses a 3 anos

  • Converse bastante com a criança, peça para ela comentar sobre suas brincadeiras e nomes de amigos, estimulando a linguagem e a inteligência.
  • Dê oportunidade para ela ter contato com livros infantis, revistas, papel, lápis, giz de cera. Leia, conte historinhas, brinque de desenhar, recortar figuras, colagem.
  • Mostre para ela figuras de animais, peças do vestuário, objetos domésticos e estimule a criança a falar sobre eles: o que fazem, para que servem (ex.: quem mia?).
  • Faça brincadeiras utilizando bola e peça para a criança jogar a bola em sua direção, iniciando, assim, brincadeira envolvendo duas ou mais pessoas.

Caderneta de Saúde da Criança

Para auxiliar mães, pais e responsáveis a vigilância dos marcos de desenvolvimento, o Ministério da Saúde indica a Caderneta de Saúde da Criança. O documento do Sistema Único de Saúde (SUS) é utilizado para acompanhar a criança desde o nascimento até os nove anos completos. Nele, os profissionais de saúde, durante as consultas, fazem a avaliação do crescimento e desenvolvimento, e registram o alcance dos marcos do desenvolvimento pela criança de acordo com a idade.

Além disso, a Caderneta de Saúde da Criança traz os marcos que devem ser acompanhados para saber se a criança já alcançou ou não. Caso a criança não apresente aquele marco dentro do tempo previsto, não significa que seja um problema de saúde. Cada criança tem seu tempo, mas é importante ficar atento e estimular a criança, promovendo vínculos fortes e duradouros.

 AP Fonte: saúde.rj

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