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E-lixo: Instituto discute destinação do celular PDF Imprimir E-mail
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Notícias - Meio Ambiente
Qui, 10 de Novembro de 2011 10:31

De onde vem e para onde vai o celular? Esse é a pergunta que leva ao quinto bloco de conteúdos do Akatu Mirim (www.akatumirim.org.br), que foi lançado segunda-feira (7) no portal para crianças criado em março pelo Instituto Akatu.

Com vídeo, jogo online, sugestões de atividades para pais e educadores, a ideia é fazer as crianças entenderem o que é a vida útil de um produto e a importância de usá-lo até o fim da vida útil, já que sua produção requer gastos em energia e recursos naturais.

O vídeo deste bloco mostra os impactos da produção do celular para o meio ambiente e a saúde humana, a quantidade de aparelhos produzidos no país, o apelo da propaganda para que as pessoas troquem de modelo a cada ano e como deve ser o descarte correto dos resíduos eletrônicos.

Na seção de jogos, os pequenos brincam de consertar os aparelhos, o que possibilita as discussões sobre uso correto para estender a vida útil do celular.

Já o mural temático conta com a seguinte pergunta: "Alguém tem alguma sugestão de como diminuir o lixo eletrônico?". Pais e professores podem utilizar a questão para falar sobre vida útil dos aparelhos, reaproveitamento de materiais, descarte correto e até sobre o trabalho dos recicladores.

Akatu Mirim

Lançado em março com o tema petróleo, o Akatu Mirim foi desenvolvido pela agência digital Tribo Interactive e patrocinado pelo refresco em pó Tang, da Kraft Foods Brasil. Nos meses seguintes, o site abordou os ciclos da sacolinha plástica, da garrafa d'água e da bala.

O instituto acredita que as crianças podem ser grandes mobilizadoras ao mudar o próprio comportamento e ainda incentivar mudanças dos pais em casa e dos hábitos na escola.

Sobre o Instituto

O Instituto Akatu é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que vê o ato de consumo como um instrumento fundamental de transformação do mundo.

O Akatu completou 10 anos no dia 15 de março e trabalha para contribuir na conscientização e na mobilização dos cidadãos para consumir sustentavelmente - de modo a tornar o mundo mais justo e sustentável hoje e a deixar um mundo melhor para as próximas gerações - e consumir solidariamente, fazendo escolhas de consumo aumentar os impactos positivos e diminuir os impactos negativos.

O consumo não é apenas um ato pontual, mas um processo que começa antes da compra e termina depois do uso, envolvendo escolhas como: por que comprar, de quem comprar, o que comprar, como comprar, como usar e como descartar?

Consumir conscientemente não é não consumir. É consumir menos e diferente, tendo no consumo um instrumento para o bem-estar e não um fim em si mesmo.

Basicamente, o Akatu investe em duas frentes de trabalho: comunicação e educação.

Saiba mais sobre o lixo tecnológico

SXC

Considera-se lixo tecnológico (ou e-lixo) todo aquele gerado a partir de aparelhos eletrodomésticos ou eletroeletrônicos e seus componentes, incluindo os acumuladores de energia (baterias e pilhas) e produtos magnetizados, de uso doméstico, industrial, comercial e de serviços, que estejam em desuso e sujeitos à disposição final.

Composto por materiais não-biodegradáveis (um monitor leva 300 anos para se decompor) e altamente tóxicos (metais pesados, mercúrio no meio), estes devem ser reciclados com cuidado (somente por empresas especializadas, que são pouquíssimas no Brasil), para não contaminar o meio ambiente. Os métodos usuais de incineração e eliminação descontrolada do lixo eletrônico no Brasil, por conta do elevado grau de toxicidade dos metais pesados, acabam por gerar graves problemas ambientais e de saúde pública. Um típico monitor de PC (Personal Computer, computador pessoal, em inglês), pode conter até 25% do seu peso em chumbo. Por isso, alguns estados norte-americanos proíbem o descarte de qualquer lixo eletrônico, principalmente os CRTs (tubos de imagem), nos aterros sanitários. Aqui no Patropi, ninguém se importa de jogá-los até no valão em frente (ou dos fundos). Já vi um e mais meia dúzia de teclados, boiando/encalhados numa vala de uma das principais avenidas da Tijuca, a Maracanã, na cidade dita "Maravilhosa".

Outro grande problema é o seu volume crescente. O mundo joga fora cerca de 50 milhões de toneladas de sucata eletrônica por ano, entre computadores, celulares, televisores e aparelhos de som. Em 2007, os brasileiros compraram 20 milhões de computadores, 11 milhões de televisores e 21 milhões de novos telefones celulares. Este ano, serão vendidos mais de 10 milhões de computadores e cerca de 49 milhões de celulares. Enquanto as empresas de informática iniciam programas para tornar seus equipamentos mais ecologicamente corretos, os ativistas voltam suas atenções para os aparelhos de TV, que tem contribuído de forma crescente para o acúmulo de lixo tecnológico. A transição dos velhos tubos de imagem para telas planas de cristal líquido (LCD, por conta da chegada da TV Digital), tem acelerado o processo no Brasil. E, já observaram como cresceu o uso de pilhas ? Qualquer radinho ou bonequinha tipo "barbie", agora, é alimentado a pilha. A equação é simples: quanto maior o consumo, maior a produção de lixo tecnológico.

Reação mundial

A União Européia criou em janeiro de 2003 um sistema de responsabilidade ambiental (descrito na Diretiva 2002/96/EC), que foi adaptada e transformada em leis de muitos países (no Brasil, inclusive; só falta sair do Congresso), com incentivos à sua reciclagem. A maioria dos paises da Europa, Coréia do Sul e Japão, já têm mecanismos para expandir a reciclagem de eletroeletrônicos. Nos Estados Unidos, o assunto começa a ganhar importância. No Brasil, a discussão ainda é superficial, embora já existam algumas empresas dedicadas exclusivamente à reciclagem do e-lixo. Existe empresa na Alemanha que se mantém recuperando o ouro de placas de circuitos importadas de outros paises.

O que fazer com ele

A desmanufatura (ou desmonte) do lixo tecnológico permite recuperar: metais, plásticos, vidros e outros componentes, além de metais preciosos (ouro inclusive) de difícil separação, que exigem alto grau tecnológico de metalurgia. Por outro lado, nessa sucata, são encontrados diversos elementos contaminantes, como fósforo, chumbo, cromo, cádmio e mercúrio (alguns dos chamados "metais pesados"), que requerem tratamento especial.

Existem três opções usuais de descarte para o lixo tecnológico:

entregá-lo ao fabricante (se ele aceitar);

vendê-lo (por um precinho bem camarada); ou

doá-lo para instituições de caridade, comitês de democratização da informática (CDIs) ou para reciclagem.

Existem soluções técnicas simples ou extremamente caras para o tratamento da sucata de informática porém, problemas relacionados à escala de custos, logística, legislação e cultura, dificultam o trabalho da reciclagem.

A legislação ambiental brasileira trata os resíduos pelo elemento contaminante  e determina o seu tratamento, porém, apenas alguns manufaturados dispõem de normas legais de descarte, como as pilhas e baterias. Estas, são recebidas pelos seus fabricantes, sem custos para o consumidor. A maioria dos produtos ainda não dispõe de leis específicas e, portanto, têm o seu custo ambiental pago pelo usuário. Infelizmente.

O Brasil acorda para o problema

A Lei de Resíduos Sólidos que tramita no Congresso há anos, está prestes a ser votada e, com certeza, disciplinará o destino do lixo tecnológico. O estado de Santa Catarina não quis esperar e saiu na frente. Criou uma lei especial e assim, desde 25/01/08, fabricantes, importadores e empresas que comercializam eletrônicos, são os responsáveis legais por dar um destino final ecologicamente adequado aos equipamentos (usados) e seus componentes.

No Ceará, foi criado o CE-waste (waste significa lixo, em inglês), um projeto de pesquisa executado em parceria com a Fundação Apolônio Salles (Fadurpe), e conta com financiamento do Banco do Nordeste do Brasil - BNB. Visa realizar um diagnóstico e propor estratégias integradas e sustentáveis no Estado, indicando técnicas e ações para a sua gestão.

E como um dos principais problemas do lixo eletrônico é o seu volume, começam a surgir no Brasil, peças artesanais confeccionadas com esse material, tais como bolsas de teclas de PC ou de disquetes de 31/2".
Fonte: Diário do Vale – O melhor Jornal da Região Sul Fluminense

 

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