Uma festa brasileira com certeza.
Celebração medieval que foi incorporada pela Igreja Católica, a Festa Junina chegou ao Brasil por intermédio dos padres jesuítas durante o processo de colonização no século XVI.
Os religiosos portugueses usavam as festividades cristãs para passar o ideário da doutrina da Igreja aos índios.
Inicilamente, a comemoração não tinha o formato que conhecemos hoje, mas com o tempo foi sofrendo um processo de hibridismo cultural. A comida foi modificada, e a dança e a música incluídas. Nos dias atuais, ela é festejada nas cidades independentemente da ligação canônima, mas no meio rural ainda permanece forte o sentido devocional, que tem significados rituais diferentes de acordo com a região do país, como a Festa de São João em Parintins, no Norte; ou como as de Campina Grande e Caruaru, no Nordeste. Esse evento folclórico, que se espalhou com os colonos portugueses, sofreu influências - indígena e negra - e forjou um caráter ligado à identidade nacional.
Inicilamente, a comemoração não tinha o formato que conhecemos hoje, mas com o tempo foi sofrendo um processo de hibridismo cultural. A comida foi modificada, e a dança e a música incluídas. Nos dias atuais, ela é festejada nas cidades independentemente da ligação canônima, mas no meio rural ainda permanece forte o sentido devocional, que tem significados rituais diferentes de acordo com a região do país, como a Festa de São João em Parintins, no Norte; ou como as de Campina Grande e Caruaru, no Nordeste. Esse evento folclórico, que se espalhou com os colonos portugueses, sofreu influências - indígena e negra - e forjou um caráter ligado à identidade nacional.
OS SANTOS
o calendário das festas juninas coincide com os dias dos santos Antônio, João e Pedro. Originalmente, a festa pagã celebrava a fertilidade do solo. Na Religião Católica, a simbologia foi atribuída aos santos.
Santo Antônio (13/Junho)
Era uma padre franciscano que viveu no século XII. Considerado "casamenteiro", teria ficado famoso por ter ajudado donzelas a conseguirem o dote.
São João (24/Junho)
Primo de Jesus, foi ele quem iniciou o ritual do batismo e batizou Cristo no Rio Jordão. É conhecido no Nordeste do país como protetor dos casados e dos enfermos.
São Pedro (29/Junho)
Foi pescador, apóstolo e primeiro Papa. Protetor dos pescadores, tem a fertilidade associada a ele no sentido da fartura.
ORIGEM
No Hemistério Norte os povos medievais realizavam festas, em junho, durante o solstício de verão. Comemoravam o sol que iluminava e fecundava a terra. A Igreja se apropriou das festas e deu a elas novos significados.
ROUPA
O estereótipo do caipira foi criado nas escolas das grandes cidades pela apropriação do personagem do livro "O jeca tatu", de MOnteiro Lobato. Antes disso, era usada a melhor roupa, não necessariamente luxuosa, mas confeccionada para a ocasião.
COMIDAS
Historicamente são relacionadas com a produção agrícola da época da festa. Mas os pratos sofreram hibridismo cultural. A pamonha, por exemplo, é de origem escrava.
FOGUEIRA
O fogo é o principal elemento junino e os povos pagãos acendiam fogueiras para espantar oa maus espíritos das colheitas. Já os cristãos o fazem homenagem aos santos.
Os formatos das fogueiras estão ligados ao santo homenageado.
- QUADRADA: Homenagem a Santo Antônio
- CÔNICA: Homenagem a São João
- PIRAMIDAL: Homenagem a São Pedro
DANÇA DA QUADRILHA
A quadrilha de salão ou quadrille era uma dança camponesa de origem inglesa que chegou à França e se popularizou nas cortes europeias nos séculos XIV e XV. Foi introduzida no Brasil pelos colonos portugueses, tendo grande incentivo com a vinda da Família Real em 1808. O formato da quadrilha junina surge noa nos 1930, durante o período Vargas, por meio da ampliação das escolas na área rural.
Marcador
Era quem ditava os comandos nos bailes da corte. Ainda hoje permanece na dança.
Música
A quadrilha tinha linha melódica variável e - originalmente não havia letra.
Principais comandos em francês
Ao se popularizar nas cortes européias, quadrille manteve alguns nomes dos passos em francês. A quadrilha junina se apropriou deles:
ALAVANTUR (en avant touts - todos à frente)- os casais se dirigem ao centro, de mãos dadas, para formarem a fila.
ANARRIÊ (en arrière - para trás) - todos devem voltar a seus lugares.
BALANCÊ E TU (balanceio e giro) - O casal separado faz passo no lugar, balançando os braços.
Comandos incluídos:
CUMPRIMENTO ÀS DAMAS
Os homens caminham dançando até as damas, ajoelham-se à frente delas e beijam suas mãos.
CUMPRIMENTO AOS CAVALHEIROS
As mulheres caminham até os cavalheiros e levantam um pouco a barra da saia.
TÚNEL
Os casais, de frente uns para os outros, erguem os braços fazendo um túnel. O primeiro casal abaixa e passa por baixo.
GRANDE RODA
As duas filas se juntam formando um círculo.
CARACOL
Os noivos devem começar a enrolar a fileira formando um caracol.
CAMINHO DA ROÇA
Os casais formam uma fila e seguem uns atrás dos outros.
OLHA A CHUVA!
No caminho das roça, os casais dão meia volta e levantam os braços. Também, é usado o comando "olha a cobra!".
FONTES: O Globo - História - Pág. 48 - 11/06/2011 - Casci Frade, professora de cultura popular (Uerj - Faculdade Angel Vianna); Edgar Leite, professor da história das religiões (Uerj - UniRio); e Ricardo Lima, professor de antropologia (Uerj).
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