Quando comer é sinônimo de sofrimento PDF Imprimir E-mail
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Notícias - Saúde
Sex, 05 de Fevereiro de 2010 08:56
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Quando comer é sinônimo de sofrimento
Tratamento caro e complexo
Doença que desfila nas passarelas
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Os distúrbios alimentares são um exemplo de como a mente pode afetar o corpo.

Fonte: Tribuna de Petrópolis

Jovem com anorexia   Com origem psicológica, a anorexia e a bulimia nervosas fazem com que a pessoa, em sua maioria mulheres jovens, se ache gorda, ainda que esteja abaixo da média de peso considerada saudável. O indivíduo não acredita estar doente, por isso não procura tratamento e as consequências vão desde o desenvolvimento de doenças graves até a morte.
Segundo a psiquiatra Rosane Bittencourt, os diversos tipos de distúrbios alimentares, que vão desde a obesidade mórbida até a anorexia, estão relacionados a outras doenças psíquicas, como a depressão. “A anorexia ou a bulimia, por exemplo, são apenas mais uma das manifestações sintomatológicas de um grupo de transtornos. Geralmente são pessoas que se automutilam, têm distúrbio bipolar, tendência suicida e abusam de álcool e drogas. São comportamentos autodestrutivos”, explica.
A origem do problema não é totalmente esclarecida, mas a especialista afirma que não há como descartar a influência genética, o que não significa que seja uma doença hereditária. A questão cultural também é importante. O padrão de beleza estilo “barbie” faz com que as mulheres se sintam na obrigação de serem magras. Como os jovens são mais facilmente influenciáveis, é normal que os sintomas comecem a aparecer na adolescência, fase em que o corpo está em formação. Familiares e amigos devem ficar atentos às manifestações, que variam conforme o distúrbio.
Os anoréxicos estão sempre de dieta, se impõem diversas restrições alimentares e têm preocupação exagerada com perda de peso. Normalmente compensam a falta de comida bebendo água e logo a aparência física começa a chamar atenção. “A pessoa já está com os ossos à mostra e diz estar muito gorda. Na verdade ela desenvolve outro transtorno chamado dismorfe corporal onde, ao se olhar no espelho, o indivíduo enxerga um corpo deformado. Com o tempo, o metabolismo e a parte endócrina ficam comprometidos, a ponto da menstruação ser interrompida”, descreve a médica.
Os bulímicos têm um corpo mais próximo do normal, já que se alimentam para depois forçar o vômito ou tomar remédios com ação laxante. Segundo Rosane, geralmente apenas as pessoas mais próximas conseguem observar o comportamento estranho do doente, que se ausenta logo após as refeições. “Ele desenvolve uma enorme facilidade de vomitar”, acrescenta a psiquiatra. Estes indivíduos também costumam exagerar na prática de atividades físicas para compensar o fato de terem se alimentado. “A linha entre a saúde e a doença é tênue. Preocupar-se com o corpo é normal e até bom, o exagero é que é perigoso. Por isso, as pessoas mais próximas que percebem o problema devem tentar mostrar o que está acontecendo na base da amizade. É preciso mobilizar a família e procurar os especialistas”, aconselha a psiquiatra.
As consequências das doenças são graves e dentre elas estão anemia, problemas endocrinológicos e gástricos, como úlcera, gastrite severa e esofagite, e até dentários, em função dos vômitos constantes. Segundo a psiquiatra, muitos dos danos são irreversíveis e o tratamento é complicado e caro, já que envolve uma equipe de profissionais da saúde. A anorexia, principalmente, pode levar a pessoa a uma desnutrição tão avançada que resulta em óbito.



 
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