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Saúde
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Seg, 14 de Setembro de 2009 10:35 |
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Fonte: Subsecretaria de Comunicação RJ A equipe coordenada pelo médico e pesquisador Marcelo Morales, do Instituto de Biofísica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está realizando um procedimento inovador: através de broncoscopia, os pesquisadores estão instilando células-tronco diretamente no pulmão de um grupo de dez pacientes com silicose, previamente selecionados. É a primeira vez no mundo que se faz um experimento no gênero com humanos.
Também é a primeira vez que se promove o tratamento da silicose com células-tronco. Retiradas da medula do próprio doente, elas devem repetir o resultado bem-sucedido já obtido nos testes feitos com animais, iniciados há quatro anos pelo grupo. Ou seja, estacionar o desenvolvimento da doença, que, hoje, atinge 6 milhões de pessoas no país. O projeto está sendo financiado pelo edital Prioridade Rio, da FAPERJ.
O procedimento teve início há quinze dias no Hospital Universitário Clementino Fraga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o primeiro dos dez pacientes. A cada semana, mais um deles é submetido ao tratamento.
- O procedimento é feito apenas uma vez. Cada paciente recebe uma única injeção de células-tronco adultas derivadas de medula óssea - explica Morales.
Os resultados serão conhecidos somente após um ano de tratamento, mas os pesquisadores estão bastante entusiasmados.
- Trata-se da fase de teste de segurança do procedimento em seres humanos, a chamada fase 1 de testes. Mas podemos dizer que o experimento foi um grande sucesso e o paciente recebeu alta no dia seguinte ao procedimento - garante Morales.
Ele diz ainda que o método pode ser empregado para outros três sérios problemas respiratórios: a asma grave, a doença pulmonar obstrutiva crônica e a síndrome do desconforto respiratório agudo. Os testes iniciais com animais também foram satisfatórios.
No caso da silicose, trata-se de doença incurável. Não há meios de se retirar a sílica que se deposita nos pulmões. O material, que no passado esteve bastante presente na indústria naval, é empregado como base do jateamento de areia e continua afetando um grande número de profissionais, como protéticos, vidraceiros, joalheiros, mineiros, pessoas que trabalham em marmorarias e até mesmo artistas plásticos que manuseiam argila. Ao ser continuamente aspirada, a poeira de sílica provoca inflamação dos pulmões.
Isso acontece porque ao perceber os cristais de sílica nas vias respiratórias, os macrófagos – células sentinela da defesa do organismo – começam a atuar. Mas ao tentar fagocitar a sílica, os macrófagos liberam enzimas, que agravam a inflamação pulmonar, e terminam destruídos no processo. Acentuada, a inflamação, por sua vez, continua atraindo novos macrófagos e outras células inflamatórias, que entram em ação, com igual resultado.
- É uma reação em cadeia irreversível, que termina fazendo com que se forme nos pulmões um tecido cicatricial, sem função de troca gasosa. Formam-se os granulomas. É a chamada fibrose pulmonar - explica Morales.
Como não há nem cura nem tratamento específico, a longo prazo a doença costuma terminar em óbito do paciente.
Foi este também o motivo para que os pesquisadores da UFRJ tenham escolhido, entre as várias doenças pulmonares, tratar exatamente a silicose.
- Além de não dispor de tratamento, a silicose atinge muitos indivíduos no país, em particular no Rio de Janeiro, que, no passado, tinha uma indústria naval forte e por isso mesmo tem ainda hoje um grande número de doentes. Motivo porque está sendo nosso primeiro alvo para teste em humanos - fala Morales.
É aí que entram as células-tronco.
- Nos testes em laboratório, elas conseguiram diminuir a atividade dos macrófagos, fazendo com que a fibrose diminuísse. Além disso, todos os parâmetros da função dos pulmões melhoraram nos animais tratados com células-tronco - diz o pesquisador.
Mas com a realização do experimento, a equipe espera também chegar a novos achados. Como, por exemplo, descobrir, quais, entre as células-tronco retiradas da medula, têm melhor desempenho na melhora pulmonar. A resposta, porém, só virá nas próximas etapas do estudo.
A estimativa é de que a nova técnica de tratamento esteja disponível à população num prazo de cinco anos. Para ampliar os estudos, a equipe busca candidatos a tratamento da silicose pela técnica de instilação de células-tronco.
Os interessados devem entrar em contato pelo fone (21) 2562-2194 ou 2562-6722.
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