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Fonte: Diário do Vale Sul Fluminense
Apesar de ainda ocupar uma posição tímida no ranking mundial da participação feminina na política (142° lugar), o Brasil deve ver o número de mulheres candidatas crescer de modo significativo nas eleições deste ano. Somente na região, ao menos seis mulheres estarão em busca de uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ou mesmo à Câmara dos Deputados, em Brasília.
Em Volta Redonda, serão quatro candidatas: Cida Diogo (PT) e Rose Vilela (PV) concorrem à uma vaga na Alerj; já América Tereza (PMDB) e Neuza Jordão (PV) buscam uma cadeira na Câmara dos Deputados. Por Barra Mansa, virá a petista Inês Pandeló, buscando a reeleição ao cargo de Deputada Estadual. Angra dos Reis, por fim, terá a candidatura de Vilma dos Santos (PRB), também à Alerj.
Segundo levantamento da Agência Brasil, as eleições gerais deste ano deverão ser marcadas pela maior participação das mulheres nos resultados. Isso porque como o Brasil tem mais eleitoras do que eleitores, é provável que haja maior número de candidatas do que nas últimas eleições.
Para a deputada Inês Pandeló a democracia só vai se consolidar, de fato, no momento em que as mulheres estiverem mais presentes na vida política do país.
- Democracia de verdade é aquela em que há a representação de todos os setores da sociedade. A mulher não pode ficar de fora, pois ela tem um olhar diferente e também porque existem políticas públicas específicas que devem ser implementadas. Infelizmente, o Brasil ainda está na lanterninha neste quesito - afirmou ela.
Números impressionam: apenas três governadoras
Desde o início deste século, as mulheres se tornaram maioria no eleitorado. No pleito municipal de 2008 havia quase 5 milhões de eleitoras a mais do que eleitores, um percentual de quase 4% em favor das mulheres, proporção que pode ser decisiva em disputas acirradas. A maior participação das mulheres tem sido observada desde as eleições parlamentares de 1974, ainda à época do regime militar, quando também se verificou o aumento da participação feminina no mercado de trabalho.
Essas dinâmicas, no entanto, não favoreceram a eleição de mais mulheres. Se elas hoje são maioria no eleitorado, estão sub-representadas em todos os cargos eletivos. O Brasil tem apenas três governadoras, dez senadoras, 45 deputadas federais, 106 deputadas estaduais, 505 prefeitas e 6.512 vereadoras. O país ocupa o 142º lugar em representação feminina, segundo a Inter-Parliamentary Union, atrás dos países desenvolvidos, de quase todos os latino-americanos e de outras nações de língua portuguesa como Angola e Moçambique.
- E não é preciso ir muito longe. Na Câmara Municipal de Volta Redonda, por exemplo, temos apenas duas mulheres, entre os 14 vereadores. Acredito que tivemos ganhos importantes em alguns setores, mas precisamos avançar mais. Torço e me esforço para que mais mulheres venham para a política - avaliou a vereadora Neuza Jordão.
O quadro de baixa representação feminina poderá, no entanto, começar a ser alterado a partir de outubro com uma ligeira mudança na legislação eleitoral. A partir de agora, os partidos são obrigados a "preencher" e não apenas a "reservar" 30% das candidaturas para as mulheres.
Na noite de ontem, a deputada federal Cida Diogo participou de uma cerimônia, no Rio, em homenagem aos 100 anos do Dia Internacional da Mulher, com a presença do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), entre outras autoridades. De lá, avaliou o papel da mulher no atual cenário político brasileiro.
- O fato de mais mulheres ocuparem o espaço dentro da política é muito bom, mostra que o nosso país está começando a avançar na garantia dos direitos. As mulheres estão despertando para a importância de sua participação e começaram a atentar que é na atuação política que vamos conseguir mais vitórias - opinou Cida.
A atual secretária de Esporte e Lazer de Volta Redonda, Rose Vilela, é da mesma opinião. Em entrevista ao DIÁRIO DO VALE, quando oficializou sua candidatura, ela afirmou que a mulher está começando a descobrir seu poder político e sinalizou o quanto isso é importante.
- A mulher está descobrindo a importância da política. Eu penso que este vai ser um bom momento para se discutir o papel da mulher na política. E acredito que este é um ano da renovação, esse é um ano da mulher - disse Rose.
As vereadoras Vilma dos Santos, de Angra dos Reis, e América Tereza, de Volta Redonda, também foram procuradas para comentar o tema, mas não foram encontradas. Leia mais em: Diário do Vale
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