MenoPAUSA para a felicidade PDF Imprimir E-mail
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Seg, 10 de Novembro de 2008 07:52

A nova fase deve ser encarada com um estilo de vida
saudável e pode revelar-se como uma das melhores.

Fonte: Tribuna de Petrópolis

Márcia é uma pessoa alegre e procura encarar
a pós-menopausa com bem-estar e saúde.


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Fernanda Soares
Redação Tribuna


A menopausa marca mais uma etapa na vida das mulheres. Assim como a primeira menstruação traz uma série de modificações físicas e emocionais, o encerramento dos ciclos menstruais também acarreta em alterações orgânicas que afetam a saúde do corpo e da mente. Mas a fase, que acontece geralmente entre os 45 e 55 anos, não precisa ser sinônimo de perda de qualidade de vida se vier acompanhada dos cuidados necessários.
O climatério é o período em que acontece a diminuição gradual da produção de hormônios e é dividido em pré-menopausa, peri-menopausa e pós-menopausa. Algumas pessoas confundem esta fase com a menopausa propriamente dita, porém, somente após um ano sem menstruar é que se considera que a mulher chegou realmente na menopausa. A ginecologista e obstetra Mércia Loureiro explica que esta é caracterizada pela falência ovariana, ou seja, os ovários deixam de produzir os hormônios femininos estrógeno e progesterona. “É a transição da vida fértil para a não fértil”, completa.

Os principais sintomas que anunciam a chegada da nova fase são as ondas de calor excessivo, chamadas de fogachos, e a falta de lubrificação vaginal, que leva à dor durante a relação sexual. “Esta é uma queixa importante e comum nos consultórios. O problema gera um ciclo vicioso, já que a mulher acaba associando o sexo à dor, levando ao que chamamos de atrofia genital”, revela Mércia. Márcia Carvalho, 61 anos, casada e agenciadora de anúncios publicitários, conta que sofreu com os ‘calores’: “Ainda sinto um pouco dos fogachos, mas na época em que entrei no climatério foi complicado. Eu sentia muito calor! Mas também foi a única coisa que senti”.
Os sintomas são progressivos e além dos citados, há outros que podem ou não aparecer, como a incontinência urinária de esforço - quando a pessoa tosse ou espirra, por exemplo, e não consegue segurar o xixi -, a urgência urinária e a flacidez da musculatura do períneo. A especialista lembra ainda que o risco do surgimento de infecções urinárias também aumenta e a capacidade da parte cognitiva (memória e atenção) tende a diminuir. O lado emocional também é afetado e a mulher pode apresentar irritabilidade e depressão.
Segundo a médica, hoje a média de idade para a chegada da menopausa é de 50 anos, mas é comum que ela apareça entre os 45 e os 55 anos. Quando ela ocorre antes dos 40 é considerada precoce e prejudicial por diversos motivos. Há diminuição da qualidade de vida e a pessoa fica mais suscetível a uma osteoporose grave (que pode levar inclusive a fraturas), e envelhecimento precoce. “Quanto mais tarde esta etapa surgir, melhor, pois os sintomas típicos são inclusive menos intensos”, ressalta a profissional.
A agenciadora de publicidade começou a sentir os fogachos aos 39 anos. Desde então seu ciclo menstrual ficou bastante desregulado e aos 46 anos ela foi orientada pelo médico a fazer a retirada do útero. “Tomei os hormônios durante cinco anos, mas tive que parar por causa de um problema no fígado. Neste período os sintomas diminuíram bastante”, afirma Márcia.
Mércia chama atenção para o fato de que hoje a longevidade é maior e muitas mulheres com idade mais avançada continuam em atividade, trabalhando e tendo vida social. Dessa forma, ela considera essencial a preocupação com o bem-estar após a chegada da menopausa: “Se pensarmos bem, com 40 anos estamos apenas na metade da vida”, conclui. Apesar da nova etapa ter chegado cedo para Márcia, ela não sofreu envelhecimento precoce e é uma pessoa ativa e alegre: “Sou dona de casa e tenho minha profissão. Fico ocupada o dia todo, mas me preocupo também com a aparência. Sou vaidosa e procuro me alimentar bem”.

Cuidados com corpo e mente ajudam a retardar prejuízos

Uma década depois do aparecimento da menopausa a perda de massa óssea tende a atingir um estágio avançado, ou seja, o surgimento da osteoporose é quase inevitável. A ginecologista conta que o processo começa a acontecer a partir dos 35 anos e é chamado de esteopenia: “A perda de massa óssea se intensifica com a menopausa em decorrência da falta do estrogênio. Alguns fatores colaboram para a evolução da osteopenia, dentre eles estão o fumo, o consumo de café e refrigerante em excesso, o sedentarismo e a falta de ingestão adequada de cálcio”.
Uma alimentação adequada, a prática de exercício físico e a exposição moderada ao sol ajudam a retardar os efeitos da osteoporose. Mércia indica o consumo de leite e derivados, assim como soja, verduras e frutas. Mas para quem tem tendência ao problema é necessário fazer a reposição de cálcio associada à vitamina D, que auxilia na absorção do mineral.
“Qualquer atividade física é melhor que o sedentarismo”, afirma a especialista. Ela faz parte de um estilo de vida saudável na pós-menopausa e melhora o perfil lipídico (aumenta o colesterol bom e diminui o ruim), aumenta a força muscular e a capacidade cognitiva. O ideal é que o exercício seja de intensidade moderada, feito três vezes por semana durante 30 minutos. A dieta deve incluir frutas, vegetais, fibras de grãos integrais e diminuição do consumo de sal e carne vermelha, que pode ser substituída por peixe. “Fumar deve ser proibido e o álcool deve ser ingerido com precaução”, alerta Mércia.
Atividades extras também são importantes para manter a mente ativa e saudável. O convívio social, através de cursos como pintura e artesanato, é favorável: “A pessoa pode fazer o que lhe der prazer. Cada fase da vida tem suas vantagens e a maturidade é uma etapa muito boa e deve ser vivida com qualidade”, pontua a ginecologista.

A agenciadora cuida do visual e se mantém
ativa aos 61 anos

Reposição hormonal: mitos e benefícios

Alimentação e sol adequados mantêm Márcia
longe da osteoporose.

O tratamento é à base de reposição hormonal, prescrita de forma personalizada. Quem tem poucos sintomas e estes não prejudicam o bem-estar pode optar por não fazer a terapia. Muitas mulheres têm receio quanto ao tratamento, porque este já foi relacionado ao aumento da incidência de diversos problemas de saúde. “Esta fobia à reposição hormonal é resultado da divulgação de uma pesquisa feita nos Estados Unidos cujo resultado indicou o aumento de doenças, principalmente o câncer de mama. Entretanto, o estudo foi feito de maneira equivocada, não levando em conta a individualidade”, esclarece a ginecologista. Hoje se sabe que o risco de câncer de mama é inferior a 0,1%.

Estudos consideram que durante os primeiros cinco anos o risco de complicações decorrentes da terapia de reposição é tão pequeno que chega a ser insignificante. “Se os exames como mamografia e preventivo não indicarem nenhum problema, o tratamento pode e deve ser continuado. Algumas mulheres usam por bastante tempo e até os 60 anos é possível fazer com tranqüilidade”, garante a médica. Mas ela lembra que a terapia deve ser iniciada junto com a chegada da menopausa para que seja mais eficaz. A data correta para o começo da reposição é denominada “janela de oportunidade”. O término do tratamento e a retirada dos hormônios é gradual. Assim evita-se que os sintomas voltem de forma exacerbada.

Mércia é totalmente a favor da terapia, pois afirma que, se feita com critério e acompanhamento médico, ela ameniza os sintomas importunos, como angústia, cansaço e depressão, melhorando a qualidade de vida da paciente. Mas a especialista atenta para a importância de avaliar cada caso para se chegar ao tratamento correto. Hoje as doses de hormônios são menores e existem diversas maneiras de fazer a reposição: via oral, via transdérmica (selos colados na pele), gel, creme vaginal e implantes (que liberam as doses gradativamente).

Os hormônios desenvolvidos em laboratório também são divididos em vários tipos e o médico deve escolher o que trará mais benefícios conforme o caso. Hoje alguns se assemelham bastante com os produzidos pelo próprio organismo e por isso são chamados naturais. A ginecologista lembra que existe uma confusão quanto a estes hormônios e o tratamento phitoterápico, por conta da denominação de “natural”. Porém, a terapia com ervas, que é utilizada por algumas pessoas como alternativa à reposição dos hormônios, não tem eficácia comprovada.

Apesar dos muitos benefícios, existe um grupo de risco que não pode fazer a terapia de reposição hormonal. Pessoas que já tiveram câncer de mama ou estão com algum nódulo suspeito no seio, casos de trombose venosa profunda e insuficiência hepática são alguns exemplos. Fumantes também se encaixam, pois o cigarro, que já é um fator de risco, associado ao tratamento, potencializa em quatro ou cinco vezes as chances de infarto, trombose e acidente vascular cerebral (AVC).

TIPOS DE HORMÔNIOS
Na reposição podem ser utilizados quatro hormônios: estrogênio, progesterona, tibolona (que no organismo se transforma em estrogênio e progesterona) e androgênio. Eles podem ser prescritos unitária ou combinadamente. Geralmente se associa o estrogênio com a progesterona, mas mulheres esterectomizadas (que retiraram o útero) precisam apenas de estrogênio, pois não estão sujeitas ao câncer do endométrio (parte mais interna do útero). A ginecologista conta que a progesterona tem efeitos menos desejáveis, porém é essencial em alguns casos e a pessoa acaba se adaptando.

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