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Fonte: Diário do Vale Divulgação
|  | Jovem: Cercada de poeira e gelo, Epsilon Eridani só tem 850 milhões de anos
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Jorge Luiz Calife
Astrônomos do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica e do Instituto Seti descobriram que a estrela Epsilon Eridani, uma das mais próximas do nosso sistema, tem dois cinturões de asteróides e um anel de gelo. Essas formações sugerem a existência de planetas ocultos, já que é necessária a força gravitacional de planetas para manter esses anéis no lugar. Epsilon Eridani fica a apenas 10,5 anos luz da Terra (nossa galáxia tem 100 mil anos-luz de diâmetro) e se parece muito com o Sol, mas é bem mais jovem. Ao anunciar a descoberta, Dana Backman, do Instituto Seti, disse que Epsilon Eridani se parece com o Sol, quando a vida surgiu na Terra, há bilhões de anos. Naquela época, nosso sistema solar também tinha dois cinturões de asteróides, o mais próximo, que fica entre Marte e Júpiter e o anel de Kuiper, que fica além do planeta Netuno. Com o passar do tempo, a gravidade dos planetas gigantes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) arrancou da órbita a maioria desses asteróides, lançando alguns no espaço exterior e arremessando outros em direção aos planetas. Os mares e as crateras da Lua foram formados pelo impacto dessas rochas. Acredita-se que algo semelhante vai acontecer em Epsilon Eridani. Atualmente ela tem apenas 850 milhões de anos, o que é muito jovem para uma estrela. Seti significa Busca por Inteligências Extraterrestres e o Instituto Seti foi criado para procurar sinais de outras civilizações. Uma parte dessa pesquisa se volta para a procura de sistemas solares semelhantes ao nosso, onde criaturas inteligentes poderiam se desenvolver. Nosso sistema solar é formado pelo Sol, uma estrela amarela, de tamanho médio, e com uma idade de 4,57 bilhões de anos. Girando ao redor do Sol, em órbita elípticas, encontram-se os nove planetas, suas dezenas de luas e o cinturão de asteróides, montanhas de rocha e metal, que formam uma faixa entre os planetas Marte e Júpiter, a uma distância média de três unidades astronômicas (U.A.s). Uma unidade astronômica é a distância que separa a Terra do Sol, cerca de 93 milhões de milhas. Além do planeta Netuno fica o cinturão de Kuiper, que contém corpos gelados, como núcleos de cometas. O sistema da estrela Epsilon Eridani é bem semelhante, mas se encontra num estágio inicial de desenvolvimento. Ele tem um cinturão de asteróides igual ao nosso, a 3 U.A.s e um segundo cinturão, mais denso, com 20% mais material, a uma distância de 20 U.A.s da estrela central. Mais ou menos onde fica a órbita de Urano no nosso sistema. As estrelas se formam da condensação de nuvens de gás e poeira. Nosso sistema é rico em elementos pesados, como ferro e ouro, e deve ter se formado com material produzido no interior de estrelas que explodiram. Esses elementos pesados são importantes para o desenvolvimento de vida, já que a hemoglobina e outros compostos orgânicos de nossos corpos dependem da existência de metais como o ferro. Uma estrela de primeira geração, formada apenas por gases leves como hidrogênio e hélio não poderia ter um planeta cheio de seres vivos como a Terra.
Sistema muito jovem
A descoberta dos anéis de poeira, gelo e asteróides ao redor da Epsilon Eridani só foi possível com a ajuda do telescópio espacial Spizer, da Nasa, que é especialmente sensível à radiação infravermelha emitida pela poeira e os asteróides. O estudo dos movimentos da estrela sugere que ela também deve ter planetas, mas o sistema todo é muito jovem para abrigar uma civilização semelhante à nossa. Se houver vida nos mundos de Epsilon Eridani, ela deve se encontrar nos estágios iniciais de formação. As distâncias que separam as estrelas de uma galáxia são tão grandes que se usa o ano-luz como unidade. O ano-luz (“lightyear” em inglês, daí o nome do personagem do desenho animado Buzz Lightyear) é a distância que a luz percorre em um ano a uma velocidade de 300 mil quilômetros por segundo e corresponde a seis trilhões de quilômetros. As nove estrelas mais próximas da Terra incluem Alfa do Centauri, a 4,5 anos-luz, a estrela de Barnard a 6 anos luz, Wolf 359 a 7,7 anos-luz e Epsilon Eridani. Dessas quatro só o sistema de Alfa Centauri e de Epsilon Eridani poderiam abrigar vida como a conhecemos. Barnard e Wolf 359 são estrelas anãs vermelhas, sujeitas a instabilidades e tempestades de radiação. O estudo das estrelas mais jovens ajuda a entender nossas origens. Ou seja, como o nosso sistema solar se formou e como a vida surgiu na Terra. O projeto Seti tenta fazer contato com outras civilizações que possam existir em nossa galáxia, mas alguns biólogos acham que a vida inteligente é uma coisa tão improvável que nossa civilização pode ser um caso único na Via Láctea. Leia mais: Diário do Vale
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